Sábado, 23 de Agosto de 2008

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Neste trabalho vamos realizar uma pesquisa sócio-cultural da Vila do Ferro.

            Vamos tentar englobar os seguintes temas: Situação geográfica do Ferro, Costumes tradicionais, Jogos tradicionais, Festas, Lendas, Folclore e música tradicional popular e Artesanato.

            Para conseguir-mos toda esta pesquisa necessitamos de sair pelas ruas do Ferro para perguntar ás pessoas mais idosas e pesquisamos algumas coisas em livros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


FERRO

 

 

SITUAÇÃO GEOGRÁFICA

A freguesia do Ferro fica situada na margem esquerda do rio Zêzere, na extremidade Sul do concelho da Covilhã, onde tem, como limite natural com o do Fundão, uma pequena serra, contraforte da Estrela, disposta mesmo em frente desta e da cidade, sede do concelho.

É ao fundo da encosta norte deste relevo que a povoação do Ferro se nos apresenta airosa, banhada de ar puro, de luz e de sol, mas exposta às nortadas frigidíssimas do Inverno.

É limitada, a Norte, por parte da freguesia de Caria separada do Ferro pela ribeira do mesmo nome e também pelo rio Zêzere, que serve de limite natural entre esta freguesia e a de Boidobra.

A Sul, confina com as terras da Peroviseu separadas do Ferro pela serra, já mencionada, no cume da qual tem o seu termo.

A Este, é limitada pela freguesia de Peraboa e Peroviseu.

A Oeste, confronta com a estrada que separa a freguesia do Ferro das de Tortosendo e Alcaria.

O Ferro dista 2,5 km da margem esquerda do rio Zêzere, 10 Km da Covilhã, 4km da Ponte Pedrinha, 7 Km do Tortosendo, 6 Kcm de Peraboa, cerca de 60 Km de Castelo Branco, 45 Km da Guarda e 275 Km de Lisboa.

 

 

publicado por julianinha às 02:25

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Com uma população de cerca de 1100 habitantes foi elevada à categoria de Vila a 21 de Junho de 1995.

            Situada na margem esquerda do Rio Zêzere a 11 quilómetros do Concelho, é composta pelos Lugares do Freixo, Monte Serrano, Souto Alto entre outros.

            O povoamento da Freguesia virá desde tempos remotos e o seu nome virá também desde essa época através da palavra Ferrum, como provam os achados arqueológicos desde, moedas, cerâmica, tijolos, moinhos manuais, pedras esculpidas…que tudo se encontra exposto no Museu da Casa do Povo. Tem também sepulturas romanas.

            O povo dedica-se à agricultura, pastorícia e comércio, mas dada a sua proximidade com a Covilhã e Tortosendo, as suas gentes vão trabalhar diariamente para aquelas localidades.

            Tem de Património edificado: Igreja Matriz, Capela do Espírito Santo e Ponte Pedrinha, tem também locais de interesse turístico, como: Sepulturas Romanas, Casa Museu do Ferro e Miradouro do Monte Serrano e no Souto Alto.

            As colectividades sócio-culturais e de solidariedade social existentes são Centro Social Sagrado Coração de Maria, Apoio aos Idosos e Crianças, Casa do Povo do Ferro, Preservação do Património Etnográfico e Grupo de Bombos do Ferro.

            Tem Feira Agrícola anual e uma outra Feira não agrícola na segunda terça-feira do mês.

            Fazem as festas em honra de S. Sebastião no último domingo de Janeiro e Coração de Maria no último domingo de Agosto. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


COSTUMES TRADICIONAIS

 

Sob esta epígrafe, quisemos reunir todas as costumeiras e costumes tradicionais de que tivemos conhecimento, descrevendo-os um tanto minuciosamente, porquanto, na maior parte das vezes, é no pormenor que se encontra a graça ou o interesse deles.

Alguns destes hábitos perderam-se já, e outros tendem a desaparecer com o desenrolar dos tempos, motivo por que os recolhemos todos, e os deixamos aqui a reviverem na memória de quem os ler.

 

OS GAMBOZINOS

 

Era uso antigo, nesta região, os mais amigos da paródia irem abusando da ingenuidade de algumas pessoas, mandando-as aos gambozinos.

Munidas de um cesto, que tinham de colocar e segurar, atravessado num ribeiro ou numa levada, ali se mantinham um tempo interminável a esperá-los, enquanto os que troçavam deles continuavam pelas margens do curso de água acima, a pretexto de enxotar e fazer vir para baixo, em direcção ao dito recipiente, os hipotéticos gambozinos.

Escusado será dizer que a pobre vítima, depois de ali permanecer horas esquecidas, enquanto os outros seguiam para onde lhes apetecia, envergonhada, acabava por reconhecer o logro em que tinha caído.

 

PARA ESPANTAR OS MILHAFRES

 

            Quando se via um milhafre, temendo que ele rapinasse alguns pintainhos que por ali andassem descuidados, em procura de comida, diziam-lhe em voz alta esta cantilena cadenciada, repetindo-a tantas vezes quantas fossem precisas, até ele desaparecer no ar:

 

Milhano, milhano, vai ao Porto,

Que está lá o teu pai morto:

Come a carne, e deixa o osso,

P’ra amanhã, p’ró teu almoço.

 

PARA FAZER VOAR AS JOANINHAS

 

«Santo Antoninho, voa, voa, vai levar as cartas a Lisboa»!

É assim que se diz quando se quer fazer voar uma joaninha.

E a joaninha, ou santo Antoninho, como o povo lhe chama, levanta voo Com a cantilena.

 

OS COMPADRES OU COMADRES E OS FRUTOS

 

            Quando uma pessoa encontra um fruto afilhado ou duplo — cereja, uva, castanha, etc. — divide-o com outra, para ser seu compadre ou comadre, depois do que engancham um no outro os dedos mínimos da mão direita, fazendo com eles o movimento idêntico ao aperto de mão, e dizendo ao mesmo tempo:

— Como se há-de chamar o menino?

— Raminho de Bem Querer!

— Somos comadres (ou compadres) até morrer.

E assim se ficam a tratar um ao outro.

NAMORADO DE FORA

 

Quando um rapaz de fora vinha namorar uma rapariga, tinha de dar aos moços da freguesia um cântaro de vinho.

Se o não desse, armavam zaragata, ou faziam-lhe alguma partida.

 

AS BARBAS E OS LUTOS

 

Quando morria alguém de família muito próxima, antigamente, os homens não faziam a barba durante um mês, em sinal de luto pesado.

 

      CRUZES NA MASSA DO PÃO

 

Quando se põe a fintar qualquer massa para fazer pão, filhós ou bolos de azeite, que tenha de levedar, faz-se uma ou mais cruzes sobre ela, dizendo ao mesmo tempo: «Que Nosso Senhor te acrescente».

O desaparecimento das cruzes é sinal de que a massa esta finta.

 

AS «BODAS» DAS CRIANÇAS

 

Por alturas das matanças e enquanto a salgadeira das famílias se mantinha recheada, era hábito, entre as crianças, reunirem-se em casa de uma delas e fazerem a chamada «boda» com «caldo gordo», onde cozeram as carnes e enchido.

Fritavam ainda batatas e ovos estrelados, se as carnes não abundavam.

E também destas bodas sempre que se «baptizavam» as bonecas.

 

O «DESAVEZAR DO LEITE»

 

Antigamente, era hábito, quando as mães queriam desavezar as crianças do leite materno, manda-las para a casa da avó ou outra qual quer pessoa, de família geralmente, onde permaneciam até se esquecerem do peito da mãe.

No caso de as mães não terem leite próprio, as crianças eram alimentadas por uma ama da confiança da família, uma vez que não era costume utilizarem leites de animais, como hoje acontece.

Actualmente, tanto um como outro destes usos estão postos de parte.

 

A MUDANÇA DOS DENTES

 

Quando as crianças mudam os dentes, diz-se que é preciso atirar com os que caem para a pilheira, dizendo:

«Pilhelrinha, pilheirão,

Toma lá este dente podre,

E dá-me cá um são».

 

O TOQUE DOS SINOS A REBATE

 

Quando há algum incêndio, desastre ou qualquer ocasião em que seja preciso rapidamente juntar pessoas, é hábito tocar-se o sino a rebate.

No caso de um incêndio, que é o mais vulgar, a notícia do local do sinistro corre célere, e toda a gente se mune de um cântaro, rega dor ou caldeiro, que enche de água para «ir acudir ao fogo».

Por meio desta ajuda colectiva, cheia de amor pelos conterrâneos aflitos, acontece por vezes a população dominar completamente o incêndio, enquanto não aparecem os bombeiros, que, nalguns casos, nem chegam a ser chamados.

Como a distância da Covilhã às aldeias é sempre considerável, essas deslocações dos bombeiros tornam-se bastante morosas, pelo que seria funesto qualquer sinistro se não fosse prontamente socorrido pelos habitantes.

 

 

O PRIMEIRO DE MAIO

 

Neste dia, dedicado às maias, os rapazes dos tempos passados envolviam-se todos com aquelas giestas floridas, segurando-as com vergas atadas na cinta, braços, pernas e pescoço donde partiam para tapar a cabeça, peito e costas.

Assim enfeitados, percorriam as ruas da freguesia a cantar, a tocar ferrinhos ou qualquer outro instrumento e a bradar: «É Maio papagaio!».

Este costume caiu em desuso, não se vendo já nos nossos dias. No entanto, ainda hoje, como antigamente, no dia primeiro de Maio, é habitual as pessoas enganarem-se umas às outras, quase como no Carnaval.

Ao apanharem desprevenidos os indivíduos que, por vezes, não se lembram de que estão na data propicia para mentiras disfarçadas em afirmações e perguntas disparatadas, depois de verem as suas atitudes, riem e divertem-se com elas, exclamando em ar vitorioso e de galhofa: «É Maio! É Maio!»

 

 

OS BAPTIZADOS

 

Os baptizados eram feitos, em geral, depois de a mãe do neófito estar completamente restabelecida, apenas para poder fazer ou orientar a pequena boda, pois não era costume acompanhar ou levar o filho à igreja.

Em regra, ela ficava em casa e, à cerimónia religiosa, iam os padrinhos, o pai e os convidados.

Presentemente, a mãe do baptizando assiste também a este primeiro sacramento do filho, para melhor se consciencializar e responsabilizar pela sua vida cristã.

Para que os pais pensem no autêntico significado do baptismo e possam dar alguma garantia de que irão orientar o seu descendente segundo a doutrina da Igreja, têm procurado os Rev.os Párocos prepará-los um pouco, tentando assim evitar que se façam baptismos apenas por tradição, sem verdadeiro espírito de fé.

Antes do nascimento, ou depois, os pais convidam, para o seu filho, os padrinhos a quem compete, em primeiro lugar, escolher o nome do menino que toma geralmente o do padrinho ou madrinha.

A seguir, esta tem de pensar no enxoval completo a oferecer ao afilhado, para o dia do baptismo.

Era tradição preferirem para padrinhos os avós, mas actual mente, vão já optando por pessoas mais novas, com outras possibilidades de poderem acompanhar e aconselhar durante mais tempo os afilhados. No dia aprazado para o primeiro sacramento do menino, a madrinha, ou qualquer outra mulher, tomava-o ao colo, conduzindo-o para a igreja, todo vestido de branco, símbolo de pureza.

O acompanhamento, formado pelos convidados e pais, entrava pano interior do templo, ao passo que à criança isso lhe era vedado, por não ser ainda cristã, aguardando portanto, à porta, na parte de fora do guarda-vento, a cerimónia do baptismo.

Hoje esta prática caiu em desuso.

Terminada a cerimónia religiosa, os acompanhantes do neófito dirigiam-se a casa dos pais, onde era servida a habitual refeição.

Como manifestação da alegria imensa que deve sentir a Igreja, enquanto Povo de Deus, por mais um cristão que entra para o seu grémio, era uso antigo tocar-se festivamente o sino depois de alguns baptizados (Como estes eram muito frequentes, e como, por tudo e por nada, tocavam os sinos doidamente, começaram a não fazer já muito caso de os repicar nessas alturas apesar de alguns párocos lembrarem a sua oportunidade.

Mais tarde, no dia 17 de Abril de 1954, o então pároco desta freguesia do Ferro introduziu novamente essa prática tão significativa.

Manteve-se de então para cá esse costume embora decaindo progressivamente, talvez mais por não haver ninguém que pudesse subir à torre e por os baptizados se integrarem noutros actos litúrgicos.

 

A PRIMEIRA COMUNHAO E A COMUNHAO SOLENE

 

O dia da Primeira Comunhão ou o da Comunhão Solene era, e é ainda, motivo para uma pequena festa familiar, de modo a marcar bem essa data e a lembrá-la pela vida fora.

O espírito renovador da Igreja tem chamado presentemente a atenção dos responsáveis pela educação cristã do comungante. Assim, hoje, pais e padrinhos ocupam na igreja o lugar de um lado e outro dos meninos, contrariando o antigo costume, aliás com alguma pompa, de irem as crianças, todas seguidas umas às outras, bem formadas e ensaiadas nas cerimónias, cânticos e orações bem cadenciados, para que o efeito resultasse sem imperfeições.

Cada família vestia, o melhor que podia, o menino ou menina.

Na igreja, havia também uns vestidos, «silvinhas» e véus brancos, para empréstimo às meninas pobres, pois todas tinham de levar o seu fato alvo, como símbolo da pureza com que se deviam aproximar da Sagrada Comunhão.

Aos rapazinhos apenas era exigida a blusa e camisa brancas.

 

OS CASAMENTOS

 

Os casamentos, no Ferro, realizavam-se geralmente em Janeiro, época em que entravam os novos rendeiros para as quintas.

Hoje, devido ao êxodo da população rural para outros locais de trabalho e ao facto de os emigrantes virem passar as férias no mês de Agosto, é este o tempo mais adequado para essas grandes festas.

Na Quaresma, nunca havia casamentos por os noivos não poderem receber a bênção nessa altura.

Como até à data, estas cerimónias têm sido realizadas na Igreja Católica, por espírito religioso na sua maioria, havia contudo um grande número de nubentes que se casavam pela Igreja, apenas para seguir uma tradição e cumprir um dever de respeito pela fé dos seus ante passados ou do cônjuge.

É por isso que, dentro da renovação que a Igreja tem estado a operar, para maior consciencialização dos noivos, os párocos procuram fazer uma preparação remota e próxima para o matrimónio de modo que os novos casais se sintam mais responsáveis e aptos a cumprirem a sua missão, de acordo com as leis da mesma Igreja.

 

 

publicado por julianinha às 02:24

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A QUADRA NATALICIA

 

O Natal, nestas redondezas, é uma festa mais dedicada ao Menino Jesus do que propriamente as famílias, ao contrário do que acontece noutras regiões.

Como preparação para este dia, faz-se, na igreja, a novena do Menino Jesus que, há anos, era muito concorrida. Vinham, mesmo de longe, os quinteiros tomar parte nesta devoção, rezando, ouvindo as palavras do Sr. Prior e cantando os cânticos tradicionais ao Menino.

Voltavam para casa ainda a entoá-los pelos campos fora o que dava uma beleza especial àquelas noites vividas no campo.

Parece que o calor das almas era tanto, que nem sentiam o frio que regelava a água e todos os seres. É que o Natal é assim mesmo festejado nesta região: com frio, chuva e até neve de vez em quando.

E, se estes elementos faltarem, nem parece Natal, pois também eles ajudam a reunir as pessoas nos seus lares e a sentirem mais o calor desta festa cristã.

 

 

A CONSOADA

 

Toda a gente, qualquer que seja a sua condição social, prepara a festa do Menino Jesus, fazendo as típicas filhós e papas de carolo que se comem ao longo de toda a quadra natalícia, com início na noite da Consoada.

Além destes tão apreciados e saborosos doces, também no dia 24 de Dezembro, é obrigatório o prato do bacalhau cozido com batatas e couves traçadas. Esta tradição talvez se deva ao facto de, em tempos passados, ser de abstinência a véspera de Natal e de as pessoas a não anteciparem para o sábado anterior, quando não queriam guardá-la no dia próprio.

 

 

O MADEIRO DO NATAL

 

É outra tradição cheia de encanto e beleza esta do madeiro a arder, durante a quadra natalícia.

Próximo do dia de Natal, vai um grupo de homens, que se juntam ao toque apressado dos sinos, cortar um ou dois troncos de árvores dos mais grossos para os fazerem transportar para o lugar dos Madeiros (largo a que os mesmos deram o nome), junto igreja.

Deitam o fogo ao tronco gigantesco, na noite de Natal. Ao ritmo dos cantares dos homens que o vão batendo com paus, pata o atear, o madeiro vai ardendo com a ajuda também da palha, petróleo e pneus velhos, mais modernamente.

Para se animarem e manterem «quentes», vão bebendo uns copitos de aguardente ou vinho que lhes oferecem, ou levam eles próprios, ou Compram. O madeiro fica a arder durante quase todas as noites festivas desta quadra.

 

 

 

PASSAGEM DO ANO

 

Na passagem do ano, costumavam deitar alguns foguetes para enterrar o Ano Velho e saudar o Novo ao qual chamam «Ano Bom».

Como agora há mais dificuldades em deitar foguetes, esse costume começa a decair, com o passar do tempo.

 

 

O DIA DE REIS

 

No Dia de Reis, comem-se as romãs que os padrinhos dão aos afilhados.

Como as romãs têm uma coroa, lembram, por isso, os três Reis Magos do Oriente que a tradição representa sempre coroados.

Neste dia, nos presépios, mudam-se os reis, que estavam longe, para junto do Menino Jesus onde ficam em adoração, terminando assim estas festividades.

 

 

«A FESTA DE FLORES» — PÁSCOA

 

A celebração da Páscoa da Ressurreição chamam as gentes destas redondezas a «Festa de Flores», talvez por aparecerem as primeiras flores, nessa altura.

A seguir Missa da manhã, celebrada pelas nove horas, os rapazes começavam a tocar festiva e ininterruptamente os sinos à Aleluia, enquanto o Sr. Prior, acompanhado pelo sacristão que conduzia a cruz, pelos rapazes portadores da caldeirinha de água-benta e da campainha e pelas crianças, cantando alegremente a Aleluia, percorria a freguesia, dando as Boas-Festas e benzendo cada lar.

Para receber o Pároco e beijar o Senhor Crucificado, reuniam-se em cada casa com os seus fatos novos, os familiares e amigos que ajoelhavam para beijarem o crucifixo.

O sacristão, ou um seu substituto, recolhia antigamente os folares em dinheiro. Depois, juntamente com a família e amigos, serviam-se de bolos — pão-de-ló, talassas, biscoitos, esquecidos, cavas, bolos de leite — jeropiga ou vinhos.

Aos rapazes, que levavam a campainha e a caldeirinha, os donos da casa ofereciam dinheiro, bolos e bebidas também.

As crianças, que ficaram fora cantando a Aleluia, atiravam-se da porta ou duma janela, à «rabatina», dinheiro, rebuçados, amendoins, nozes e castanhas piladas. Estas últimas, hoje, são menos vulgares, por haver falta de castanhas e poucos caniços para as secar.

Quando os donos da casa, que viviam regularmente, nada ofereciam às crianças, estas não cantavam a Aleluia, própria desta festa e até diziam gritando:

— Aqui é o inferno! Aqui é o inferno!

No caso de ficarem satisfeitas com a dádiva, ou mesmo antes, por saberem a tradição da casa, adiantavam-se a cantar, com alegria e entusiasmo, a Aleluia, e também gritavam contentes:

— Aqui é o céu! Aqui é o céu!

Na hora oportuna, os donos da casa e seus familiares dirigiam-se também às outras residências para beijar o Senhor, passando assim o dia de Páscoa, a correr de uns lados para os outros, ao ritmo do sino, que todo o dia repicava festivamente.

Na 2.ª feira seguinte, começavam e acabavam as Boas-Festas nas quintas, divididas em duas partes, para cada uma das quais ia um sacerdote, com o seu acompanhamento.

Havia freguesias em que as Boas-Festas eram dadas ainda na 3.ª feira ou no domingo de Pascoela.

Em todos estes dias, os sinos tocavam festivamente, desde manhã até à noite.

Ao longe, pelos campos, misturada com o repicar dos sinos, ouvia-se a voz das crianças e rapazes, cantando a Aleluia.

Esta tradição cheia de encanto, embora estafante para os párocos, acompanhantes e donas de casa, tende a desaparecer, talvez mais por falta de clero, sendo, no entanto, substituída, nalgumas freguesias — nas quintas principalmente — por convívios em determinados locais, assistidos pelo Sr. Prior, como acontece no Ferro e Peraboa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 JOGOS TRADICIONAIS

 

Na nossa terra no antigamente e mesmo agora as pessoas, poderiam ocupar os seus tempos livres a jogar os maravilhosos jogos tradicionais desta vila.

            Entre eles os mais antigos são:

 

→ Para rapazes:

           

  • Jogo da malha
  • Jogo do Pião
  • Jogo do Berlinde
  • Jogo do Botão
  • Jogo do Rolho
  • Jogo do caixote do Burro
  • Jogo da Barra
  • Jogo da moeda
  • Jogo das cartas
  • Jogo de futebol

 

 

→ Para Raparigas

 

  • Jogo da Péla
  • Jogo do aeroplano (mais conhecido como jogo da macaca)
  • Jogo do cântaro (que só se jogava pela Quaresma)
  • Jogo do grilo

 

 

→ Jogos Mistos

 

  • Jogo das escondidas
  • Jogo do Lourenço, Lourenço aqui fica o lenço
  • Jogo da cabra cega

 

 

Entre muitos outros…

 

 


Festas

 

FESTAS PROFANAS E RELIGIOSAS

Como há já alguns anos, por determinação do Prelado, os antigos arraiais nocturnos das festas religiosas acabaram, por darem ocasião a desacatos, imoralidades e crimes até, começaram a fazer-se, em sua substituição, algumas festas profanas ou civis, onde não faltam a música, os foguetes, o fogo de artifício incluindo o fogo preso, as danças

e até a exibição de ranchos folclóricos de fora ou da própria localidade. Também se convidam por vezes, artistas conhecidos, em especial cançonetistas.

Nelas, como nas festas religiosas, costuma haver ainda venda de bilhetes de rifas e leilão de prendas para assim angariarem fundos que cubram os gastos, aliás sempre grandes.

Em regra, há marcações de mesas, com despesa obrigatória, e lugares em pé, num recinto fechado.

Essas festas podem não se fazer todos os anos e algumas das que se realizaram tiveram em geral, como pretexto, a inauguração de benefícios públicos: a luz eléctrica, o telefone, a água, o campo de futebol...

Quanto às festividades religiosas, além da festa do Coração de Maria, «do Divino» Mártir S. Sebastião e da do Coração de Jesus, que ainda hoje se realizam no Ferro, efectuavam-se também, antigamente, as seguintes, geralmente a cargo das irmandades respectivas:

Festas do S. Sacramento, no dia de Corpo de Deus

Festa do Divino Espírito Santo, por altura do mesmo dia litúrgico

Festa de Santo António, em 13 de Junho

Festa de Nossa Senhora da Conceição, em 8 de Dezembro.

 

ROMARIAS DA REGIÃO

 

OS FORASTEIROS E A VIAGEM

Foram, e são, as romarias, mesmo uma ou outra mais distante da Beira Baixa, festas muito frequentadas por todo o povo da região, especialmente o das aldeias, por serem totalmente do seu agrado. Elas faziam, e fazem, parte da sua vida, razão por que lhes fazemos referência aqui.

Quer utilizando burros, cavalos, carros de bois e carroças, que tornavam as viagens muito demorosas e maçadoras, nos tempos passados, quer transportando-se, presentemente, nas camionetas de passageiros ou automóveis, o nosso povo tinha, e tem, a «devoção» quase obrigatória de tomar parte nessas romarias.

E, a pretexto de cumprir promessas e de pedir graças, vai aproveitando para passear e se divertir, pois «nem só de trabalho vive o homem».

A preparação da merenda é uma parte importante do programa, não faltando nunca o presunto, a chouriça, os pedaços de galinha corada e a borracha ou garrafão de vinho.

Quando a viagem demorava, comiam pelo caminho e, depois, no recinto da capela, reunidos em grupos, merendavam a sombra das árvores.

Os animais, geralmente enfeitados com fitas de papel colorido colchas nas albardas e nos carros, ali descansavam também das fadigas da jornada.

Uma das primeiras preocupações dos romeiros, ao chegarem ao lugar da festa, era cumprir as promessas, saudar, rezando, o «Santo» ou «Santa» e depositar o seu óbolo na bandeja colocada junto do andor ou na «mesa» que se encontrava no telheiro.

Sendo a dádiva considerável, além da estampa com a fotografia da imagem venerada, que ostentavam na fita do chapéu, era habitual os mordomos oferecerem um ou mais foguetes que os forasteiros gastavam nesse dia ou guardavam para outras alturas.

No arraial, não havia nenhum homem que não comprasse, em tendas próprias, o seu raminho de flores de papel brilhante, misturadas com vistosas penas para enfeitar também o chapéu durante a romaria e na vinda para casa. Este mesmo adorno punham na cabeça dos animais, juntamente com os que já levaram para lá.

 

PROGRAMA DAS ‘FESTAS—FOGUETES E ARRAIAL NOCTURNO

A excepção de uma ou outra, as romarias têm, sensivelmente, o mesmo programa religioso e profano, assim distribuído:

Desde as vésperas que os foguetes estralejam no ar, fazendo-se ouvir nas cercanias.

A sua quantidade e qualidade indica se a festa vai ser rija (forte) ou fraca, acabando, tantas vezes, no primeiro caso, por convencer os mais indecisos a participarem nela. Assim, a afluência de gente depende muito da propaganda, feita deste modo singular.

Sempre debaixo do som dos foguetes, é vulgarmente na véspera, ao entardecer, que se inicia a festa, com a condução, em andor, do santo festejado, desde a capela para a igreja paroquial (no caso de não ser exagerada a distância entre uma e outra).

Armadas durante o dia de sábado as peças de fogo preso, as tendas de bebidas e de quinquilharias, os tabuleiros das amêndoas e típicas medalhas de açúcar com uma estampa religiosa colada, vinha a noitada, juntando-se toda a gente no arraial a passear, a dançar, a apreciar as artísticas peças de fogo preso e os foguetes de «lágrimas».

A meio da noite, era ainda hábito lançar-se o balão, o que provocava grandes manifestações de regozijo, ao vê-lo subir.

 

O DIA DA FESTA

Na madrugada do dia seguinte, faz-se a alvorada, com uma prolongadíssima descarga de peças pirotécnicas, onde não faltam os morteiros, e também com a música a tocar, dando volta à povoação.

Os elementos da banda têm a seguir o seu tempo de descanso, voltando novamente a actuar e a parar alternadamente até à hora da missa solene. Esta começa por volta do meio-dia, sendo abrilhantada pelos músicos que tocam alguns instrumentos e cantam também quando não há coro paroquial ensaiado para o efeito.

Segue-se a procissão em que toda a gente se incorpora com uma vela na mão.

 

A PROCISSAO E SUA ORDEM

Ao som dos sinos a tocar e do rebentar dos foguetes, forma-se a procissão que, antigamente, abria com o guião, muito difícil de transportar por ser exageradamente alto e pesado, motivo talvez por que, nos tempos modernos, se excluiu completamente destas manifestações de piedade.

A ordem observada nas procissões era a que se segue: à frente, os homens, depois, as crianças e associações religiosas, atrás, as mulheres, todos em duas filas.

Do principio até a meio do cortejo religioso, vêem-se ainda algumas bandeiras grandes e várias pequenas, transportadas pelos membros directivos das obras religiosas que representam, os quais seguram também as correspondentes borlas. Crianças vestidas de anjo pegam igualmente nas borlas de outras bandeiras.

Os andores, bem adornados, intervalam-se por quase todo o comprimento da procissão, caminhando junto deles alguns anjinhos e, em tempos atrás, penitentes amortalhados.

Dispersas pela procissão, vão também, por vezes, pessoas com ofertas à cabeça, sendo as mais pesadas transportadas por homens.

O pálio, sobre as sagradas relíquias, conduzidas por um sacerdote, segue imediatamente atrás dos cavalheiros.

Para os homens que pegam ao pálio, nos andores e nas lanternas, há opas brancas, para as festas de N.ª Senhora; castanhas, para as de S.António; vermelhas, para as outras.

Expostos os andores na capela à veneração dos fiéis, chega-se a hora da refeição e de um pouco de descanso.

 

O ARRAIAL À TARDE

Com a música a tocar no coreto e algumas concertinas para os intervalos, à tarde, iniciam-se as danças, procede-se à arrematação das ofertas, à venda de bilhetes para sorteios, ao pagamento de promessas ou de esmolas para a festa, à compra de amêndoas, medalhões de açúcar e lembranças para os que ficaram em casa.

É nestas alturas que, conhecidos e amigos das quintas distantes e de outras terras, se encontram e conversam num convívio agradável e saudável, mantendo e alargando, assim, as suas relações de amizade.

 

O FINAL DA FESTA

O dia seguinte, geralmente segunda-feira, era, e é ainda, numa ou outra localidade, solenizado pelo menos com missa e arrematação das ofertas que restassem, com danças, foguetes, etc., terminando algumas romarias com a procissão de regresso das imagens, da capela para a igreja.

Os forasteiros voltam estafados à sua localidade, pois muitos eram de aldeias vizinhas e, ao serem instados: «Donde vens?», respondiam já em voz fraca, brandamente, mostrando-se extenuados: «Venho da feeesta»!... Ao invés, quando iam para as romarias, ainda descansados, em tom alegre e desembaraçados, respondiam: «Vou p’rà festa!». E assim ficaram estas expressões na boca do povo a propósito da ida e da volta de qualquer passeio.

 

ENUMERAÇÃO DAS ROMARIAS E SUAS PARTICULARIDADES

Depois de sabermos o que, duma maneira geral, se passa nas festividades da região, especificaremos, a seguir, as que são mais frequentadas pelas nossas gentes cá no Ferro, descrevendo apenas o que de mais característico há nelas.

 

CORAÇÃO DE MARIA

A festa do Coração de Maria, a principal da freguesia do Ferro, é celebrada na sua capela, no último domingo de Agosto. Sendo, em tempos passados, uma romaria muito importante e de fama, está hoje quase reduzida à parte religiosa, sem tanto interesse, portanto, para os mais foliões.

Há ainda, de quando em vez, música, não faltando os foguetes, mas em quantidade mínima, devido ao seu custo exagerado e às dificuldades em achar quem se responsabilize por um possível desastre, que o seguro não cubra completamente.

De notar o facto de, antigamente, em 5.ª feira da Ascensão, se «tirar o ramo» para a festa do Coração de Maria, transportado de casa em casa, ao som do toque da caixa. Com a finalidade de angariar mais fundos, ainda se recolhiam, nas quintas, borregos, queijos e enchido, sendo tudo vendido nesse dia santo e guardado o dinheiro até Agosto, como já se disse atrás.

Também na 2.ª feira a seguir ao domingo da festa, era celebrada a Missa na capela, pelas onze horas e, durante todo o dia, realizava-se a feira de sementes de erva, de melancias, de pão de centeio, de objectos de lata, de cavalos e burros, mantendo-se abertas as tabernas e barracas de bugigangas.

Esta feira já não se faz, há várias décadas.

Presentemente, não se pedem esmolas para a festa, recebendo-se apenas as ofertas espontâneas em dinheiro, em cera e em oiro.

Também é hábito prometer, ou simplesmente oferecer, um sermão, ou uma missa votiva cantada ou rezada, nesses dias festivos, pagando o respectivo estipêndio.

O recinto da capela do Coração de Maria está a ser urbanizado segundo um plano bem concebido por técnicos competentes, dando-lhe assim o conforto e beleza de que carecia. Esta obra deve-se à iniciativa do Rev.° Pároco desta freguesia, P.ª Dr. Manuel Francisco Domingos.

 

 

 

 

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MARTIR S. SEBASTIÃO FESTA DO «MARTLE»

É esta a festa do Padroeiro da freguesia do Ferro, que se realiza no Domingo a seguir a 20 de Janeiro, dia de S. Sebastião, tendo lugar, na igreja paroquial, a parte religiosa; no Parque ou à Praça (Amoreira), a profana.

Quando se faz a festa, costuma colocar-se um mastro encimado com uma bandeirinha, um pouco adiante do sitio chamado Aquedutos, perto do cemitério.

A superstição popular levava os antigos a acreditarem que este mastro, com a bandeira preta ao alto, afugentava os males que pudessem vir aos animais, à agricultura, às pessoas, enfim, à sua terra.

 

 

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Lendas

 

LENDAS SOBRE AZ LAJEIRAS DAS RASAS

 

O TESOURO

Um dos rurais, que trabalhou na Quinta das Rasas, conta que, na parte de cima das lajeiras, por baixo do toro de um castanheiro, há uma pedra amarela, debaixo da qual existe um «haver» com que ele sonhara «três vezes» (indício certo de lá se encontrar...).

Como tem o castanheiro por cima, não há possibilidade de o tirar, sem primeiro a árvore ser arrancada.

É, no entanto, voz corrente entre a população desta freguesia que a quem arrancar «haveres» nas Rasas, acontece depois uma grande desgraça, como julgam já ter sucedido, por essa razão.

 

AS LAJEIRAS E OS MOUROS

É da tradição popular que, antigamente, nas mesmas lajeiras das Rasas, se juntavam os mouros a dançar, a cantar, a tocar sinos e campainhas, tirando às pessoas cristãs, que por ali se mantivessem de noite, de guarda às suas colheitas, «os santos óleos» com que as mesmas foram baptizadas, para eles próprios se tomarem cristãos e assim poderem ser salvos.

 

O ENCANTO

Nas lajeiras das Rasas dizia-se que ali aparecia um encanto: uma cabra de oiro, ou então uma mulher a fiar numa roca de oiro também.

Era, por isso, que muita gente visitava aquele local com frequência, vindo, no entanto, de lá decepcionados, por nada verem.

Outra versão acerca do encanto das lajeiras, diz-nos que, sobre madrugada da noite de S. João, os moiros deitam o oiro ao sol, e, a uma certa hora, arrecadam-no, isto é, apanham-no para se meterem com ele novamente lá dentro, ao abrirem as rochas.

Diz a mesma lenda que, ao longe, o oiro vê-se reluzir, mas, ao aproximar-se gente, ele desaparece...

 

ORIGEM LENDÁRIA DOS TERRENOS FOREIROS

NAS RASAS

 

O CABREIRO

Havia um homem que era cabreiro, e sonhara um dia que, nas lajeiras das Rasas, perto do local onde morava, estava uma cabra de oiro e um cabrito. Ele foi lá, viu-os, levou-os ao rei que, ao tempo, se encontraria em Belmonte, e disse-lhe simplesmente sem mais explicações:

— Saiba Vossa Majestade que eu trago aqui uma cabra e um cabrito.

O rei, ao ouvir tal, pediu-lhe logo o cabrito por ser mais tenro, rejeitando a cabra por ter a carne mais dura.

Quando o homem tirou dos alforges a cabra e o cabrito, ambos de oiro, o rei ficou não só admirado, como interiormente arrependido de não ter aceitado também a cabra; mas, como «palavra de rei não volta atrás», mandou receber só o cabrito, e nada mais disse.

Perante a situação perplexa em que o monarca se encontrava e que deixava perceber, o cabreiro deu-me a peça escolhida, mas teve ainda a gentileza de lhe oferecer a cabra.

O rei ficou tão maravilhado e reconhecido com o pobre homem, que premiou a sua generosidade ordenando-lhe:

— Vai à cavalariça, e escolhe o melhor cavalo que lá, houver. Todo o terreno que com ele correres, até o animal rebentar, ficar-te-á a pagar um foro, para toda a vida a ti e aos teus descendentes.

O homem, doido de contente, assim fez, partindo de Belmonte, terra dos Cabrais, em direcção à freguesia do Feno.

Quando chegou ao sítio próximo das Rasas chamado hoje pinhal do Cabreiro, o cavalo rebentou, e todas as terras por onde passou, desde Belmonte até ali, teriam ficado foreiras, mantendo-se por isso ainda hoje o foro nalgumas daquelas terras do Cabreiro e das Rasas cujos enfiteutas, em tempos passados, iam pagar o respectivo laudémio a Belmonte.

Este foro era pago em rasas, vindo dai o nome àquele local, segundo algumas opiniões.

 

VAI A SANTARÉM QUE LÁ ESTÁ O TEU BEM

Um homem desta freguesia sonhou que ouvira a frase: «Vai a Santarém, que lá está o teu bem!»

Pôs-se a caminho, e, quando chegou ao meio da ponte de Santarém, encontrou-se com um homem. Embora estranhando ser um homem o seu bem, no entanto atreveu-se a perguntar-lhe:

— Então vossemecê é que é o meu bem?

E explicou-lhe o sonho que tivera, ao que o outro respondeu:

— Isso de sonhar não vale nada. Eu também sonhei que, num grande lajedo da freguesia do Ferro, existia um «haver», mas eu nem fiz caso, por saber que tudo isso é uma aldrabice, e também por ser lá tão longe.

O homem que foi de cá, aproveitando o que ouvira do sonho do outro, voltou à sua terra, indo logo direito ao lajedo situado na Quinta das Rasas, à procura do tesouro.

Achou então uma cabra de oiro com cabritinhos também de oiro. Foi logo levá-los ao rei, que, em paga lhe mandou escolher, para lho oferecer, o melhor cavalo da cavalariça, dizendo:

— Vais ficar com o foro de todas as terras por onde passares a cavalo, até o animal se cansar e não poder andar mais.

O homem assim fez ficando com urna grande fortuna que era o bem Indicado no sonho.

 

A PASSAGEM DO REI

Como explicação da existência dos prédios foreiros das Rasas, consta ainda que certo rei se lembrou de correr terras, calhando passar aqui pelas do Ferro.

Todas as propriedades, por onde o rei passasse, ficavam obrigadas ao pagamento do foro anual.

É por isso, dizia-se, que muita gente, que tinha prédios foreiros nas Rasas, ia pagar esse imposto ao celeiro de Belmonte, terra dos fidalgos Cabrais.

 

ALVARES E A LENDA DOS PRINCIPES DE CARRIÓN

Segundo uma lenda, os Príncipes de Carrión separaram-se das filhas do Cid (Rui Dias de Bivar) com quem haviam casado. Este ficou furioso, e quis matá-los, pelo que, eles fugiram para Alvares, do concelho da Covilhã, onde haveria um palácio que eles habitavam.

A família Feio da Covilhã seria descendente destes Príncipes.

É de crer ter sido Alvares do Ferro onde, ao tempo, haveria uma ponte de ligação com a Covilhã, o refúgio dos genros de Cid.


FOLCLORE E MUSICA POPULAR TRADICIONAL

 

            Um dos passatempos preferidos dos antigos e mesmo ainda hoje era o folclore e musica popular que usavam para ajudar a passar o tempo mesmo quando estavam a trabalhar especialmente na agricultura e em outras áreas.

            O Folclore e a música popular eram usados em especial pelos ranchos.

 

As músicas mais conhecidas entre eles eram:

 

Ø  O Vira

Ø  Um abracinho bem apertado

Ø  Toma lá da cá

Ø  Ao Limão, ao verde limão

Ø  Ora venha o meu Benzinho

Ø  Sou solteiro solteirinho

Ø  Viuvinha, viuvinha

Ø  Aquela janela

Ø  O pedreiro cheira a cal

Ø  Nunca vi carvalho torto dar madeira direita

Ø  Bater palmas, Palmas, Palmas

Ø  Ora Ponha aqui o meu pezinho

Ø  Canta a Poupa

Ø  Vai devagarinho

Ø  Penteei o meu cabelo

Ø  Não quero que vás a Monda

Ø  Quando vou a horta

 

Entre muitas mais…

 

 

Na música popular desta terra existe também um romanceiro muito velho, vindo da idade média, este consistia em tornar romances antigos em cantares.


O LINHO SUA PREPARAÇÃO

Em tempos passados, era o linho uma cultura obrigatória nestas redondezas, para dele se tecer as tão afamadas e preciosas roupas, hoje enlevo de senhoras e raparigas que delas foram herdeiras.

Damos, a seguir, uma ideia das fases por que passa e depois a descrição dos utensílios nelas empregados.

Arrancado o linho e posto no chão às mãos-cheias, separadas e cruzadas obliquamente com a «tora» para o mesmo lado, logo ali era ripado no ripanço para lhe sair a baganha. Feito isto, era atado em molhos para ser «enlagado» no rio, onde se conservava bem mergulhado na água e fixo com estacas e pedras cerca de oito dias. Para sinalizar o «aguadoiro» colocavam ao alto uma estaca com um ramo, por exemplo.

Passado este tempo, retirava-se e estendia-se na areia a enxugar.

Caso não estivesse ainda em condições, voltava-se a atá-lo e a mergulha-lo novamente no rio, mas, desta vez, menos tempo, tirando-se depois de três dias, aproximadamente.

Estendia-se então no cascalho a secar, depois do que se atava em molhos.

Era então maçado, sobre uma pedra lisa, com a «maça», sendo posteriormente estrigado (ou esfregado, como se faz à roupa), em cima do joelho onde, geralmente, se colocava uma pele que protegia o vestuário. Esta operação tinha por fim desfazer e soltar a palha que envolve as fibras do linho, reunidas em molhinhos ou mãos-cheias chamadas «meias». Doze «meias» formavam um «afusal».

Depois, «tascavam-no» num cortiço com a «espadana» para o acabar de limpar das palhas chamadas «manarros», «tomentos» ou «coanhos» que caíam e que apenas serviam para estrume ou para deitar por cima das choças.

Desta operação saía a estopa gorda que era enrolada em

«armos» e posta à parte.

Feito este trabalho, o linho era sedado, isto é, apurado no sedeiro. As fibras mais compridas — as «febras» — davam o linho mais fino — o das estrigas — que era um pouco torcido e dobrado a meio para se entrelaçarem as duas metades, formando uma espécie de trança, a rematar, com um nozinho nas extremidades. Os restos davam a estopa dos bicos e a estopinha  que se enrolava formando «armos».

A estriga, constituída assim pela porção de linho ainda em forma de cabelo, que se punha de cada vez na roca, era fiada com o auxílio do fuso, enrolando-se nele, ao mesmo tempo.

Cheio o fuso, saía de lá a «maçaroca», cujo fio era, a seguir, dobado na dobadeira ou no sarilho. Ao tirar as meadas, para se não escangalharem, atavam

 

 

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                                              Dobadoira e Sarilho

 

 

Mais tarde, «emborravam-se», numa calda feita de cinza e água, dentro duma «masseira» ou noutro qualquer recipiente, e colocavam-se em «caqueiros» (cestos velhos) forrados de palha, coberta no fundo com uma camada da mesma calda ou massa. Cheios os cestos, dobrava-se a palha, que se encontrava em volta, para cima das meadas, com o fim de as abafar, cobrindo-se ainda com mais uma porção daquela mistura.

 

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Os cestos, assim preparados, eram levados para o forno onde permanecia dois dias a «cozer» depois de tirado o pão, tapando bem a porta do forno para não arrefecer tanto nem sair vapor. Esta «cozedura» tinha por finalidade  aclarar o linho.

Passado este tempo, tiravam-se para fora, sacudindo bem todas as meadas, a fim de cair a cinza. A seguir iam «desemborralhar» na água do rio ou do ribeiro onde se lavavam com sabão, se batiam e se punham a corar ao sol durante vários dias, até branquearem.

Uma vez coradas, enxugavam-se e metiam no argadilho ou, à falta deste, na dobadeira, para serem dobadas em novelos.

Estava assim o linho pronto para se tecer nos teares manuais caseiros.

Feita a peça, tinha ainda de ser branqueada com a barrela. Para isso, colocava-se num cesto, cobria com um pano, e sobre ela, derramava-se uma grande porção de cinza e água a ferver. Isto fazia-se à noite, e, de manha estendia-se a corar ao sol, com sabão, depois de lhe ser tirada a cinza.

 

DESCRIÇÃO DOS UTENSILIOS DO LINHO

Presentemente, já não se cultiva o linho, mas, nalgumas casas, ainda se conservam restos dele, fiado já, ou por fiar, bem como os utensílios para a sim preparação que a seguir vão indicados e descritos:

Ripanço — tábua larga e alta, dentada na parte superior, de maneira a ficar com pontas altas e aguçadas, por onde o linho passa, deixando cair a «baganha». Utilizava-se sempre com a parte inferior enterrada na terra. Outros haveria com algumas diferenças, mas sempre semelhantes no essencial que eram os dentes ou paus aguçados.

Maça — espécie de rolo feito de pau grosso, com um cabo curto, para maçar o linho, depois de seco.

Espadana — Peça de madeira de 40 ou 50cm de comprimento e 12 ou 15cm de largura, tendo a parte mais larga em forma de cutelo, muito lisa e fina e um cabo curto.

 

 

cortiço — cilindro de cortiça igual ao que se usa para os enxames, onde se encosta o linho para a operação de tascar.

Sedeiro — tábua comprida e estreita, tendo espetados uns arames de ferro ponte agudos na extremidade, por onde passa o linho, saindo, em primeiro lugar, a estopa de bicos, logo a seguir a estopinha, ficando depois o linho fino, O sedeiro podia ser mais ou menos basto.

 

 

 

 

 

publicado por julianinha às 02:20

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Roca — Cana ou pau tendo numa extremidade um bojo , onde se enrolava o linho que se ia fiando — a estriga — a que se aplicava um «carapulo» de papel ou papelão em forma de cartucho para evitar que se desmanchasse.

Fuso — instrumento para fiar, feito apenas de uma peça de madeira torneada, que se afiou na extremidade e se revestiu de um castão de metal. Quando o trabalho parava, o fuso era espetado no orifício do «siso»  — pedaço de cabedal dobrado e preso à roca por uma estreita correia, para não se perder.

Sarilho — utensílio geralmente constituído por um pedaço de madeira torneada, ou cana, por ser mais leve, com cerca de 60cm de altura. A parte inferior, de 15cm aproximadamente, servia para se lhe pegar, tendo logo a seguir uma vareta mais fina atravessada, de 25 cm, que lhe era perpendicular. Na parte superior, a 40cm desta, tem aplicada uma outra de tamanho igual, também perpendicular à vara, mas, de tal maneira que, se assentasse na vareta de baixo, formaria com ela uma cruz de ângulos rectos.

Pegava-se no sarilho com a mão esquerda e, com a direita, enrolava-se-lhe o fio vindo da «maçaroca» fazendo, ao mesmo tempo, movimentos rotativos ascendentes e descendentes, para o dobar de uma vareta à outra, isto é, quando se levava o fio para cima, descia o sarilho, rodando, e vice-versa, para facilitar a dobagem.

Este trabalho tinha a sua técnica, pois, se as voltas não fossem bem dadas sempre obliquamente, podiam-se fazer «traves» ou «cabrestos» que engalhavam a meada, tendo então de se cortar o fio ou voltar atrás desfazendo-a.

As medidas do sarilho jogavam com as do argadilho e dobadoira para caberem neles as meadas.

O sarilho, por ser fácil de executar, era mais utilizado, mas bastante incómodo e cansativo por ser mantido no ar com os braços em constante movimento. É por isso que, nas casas mais abastadas, aparecia a dobadoira, não existindo nelas o sarilho.

Dobadeira ou dobadoira — Consta de um suporte assente no chão, com uma haste ou travessa perpendicular, na parte superior da qual está aplicado um eixo horizontal, onde gira uma cruzeta na posição vertical. Os braços têm, como remate, umas curtas peças levemente arqueadas e atravessadas, onde passa o fio da «maçaroca» para se

enrolar em meadas ou dobar.

 

Numa das hastes da cruzeta, há uma mãozeira para se lhe pegar e lhe imprimir movimentos circulares. Noutra, movível na extremidade, há uma cravelha que a mantém fixa, como as restantes enquanto está a ser accionada para fazer a meada. Acabada esta, desanda-se a dita cravelha, e o treminal móvel desloca-se para o lado, permitindo que a meada saia facilmente.

A dobadoira empregava-se sobretudo para fazer meadas, mas, na falta do argadilho, também la se dobavam ou faziam os novelos, não se tornando necessário, para tal, accioná-lo com a mão, uma vez que o próprio fio fazia andar a roda.

 

Doba, doba, dobadoira,

Não me enrices a meada;

O novelo está pequeno,

E eu já tenho a mão cansada.

 

Assim se cantava, enquanto a dobadoira ou o sarilho giravam fazendo as meadas ou novelos.

Argadilho — Instrumento formado por uma base com um eixo perpendicular onde estão aplicadas horizontalmente duas cruzetas: uma maior em baixo, e o menor, em cima.

Os braços de uma cruzeta estão ligados aos correspondentes da outra por umas varetas torneadas, de diâmetro igual ou inferior ao eixo, ficando, como se depreende pelo tamanho diversificado das cru zetas, aquelas levemente inclinadas, a fim de que caiba lá sempre a meada, facilitando, ao mesmo tempo, a sua entrada e saída.

O fio era então enrolado em novelos enquanto o argadilho girava em torno do seu eixo.

Algumas fases do trabalho do linho eram muito cansativas; por isso, quem metia mulheres por dia a prepará-lo, tinha de lhes dar comida frequentemente (sete ou oito vezes ao dia), comendo mais vez que os malhadores, junto delas, estava sempre o açafate com a «fatia» — pão, queijo, cherivias fritas, vinho e água-mel.

A chamada fatia das dez constava de trigo migado numa bacia de quarta sobre o qual se derramava água da cozedura do grão e três ou quatro ovos batidos.

Enquanto executavam os trabalhos menos fatigantes entoavam lindos cantares arcaicos do linho em belo ritmo sincopado de cadencia modal:

 

Vós chamais-me trigueirinha,

Isto é do pó do linho.

Vós me vereis ao domingo,

Como a flor do rosmaninho.

 

Se eu fora tão fininha,

Como o linho que fiais,

Dava-nos tantos beijinhos

Como vós ao linho dais.

 

TEAR MANUAL CASEIRO

O tear manual caseiro, nas suas linhas gerais, é formado pelas seguintes peças principais:

«Sadoura» que é a primeira travessa horizontal que se encontra

à frente do tear, onde a tecedeira encosta os quadris.

«Jogo do tear» é toda a parte móvel.

«Lançadeira» é uma peça alongada que passa por dentro dos fios,

conduzindo a canela que foi cheia de ourelos o, linho ou algodão.

O «aparelho», que é a parte onde passa o fiado (conjunto de fios), é accionado com os pés postos em duas «apeinhas» Ou «apeanchas» espécie de pedais que levantam e baixam uma de cada vez, à medida que se manda a lançadeira de um lado para outro.

«Roda» é um aparelho com que se enchem as canelas e funciona à parte do tear.

No «órgáo», peça cilíndrica situada na parte de trás do tear, são enrolados uns fios que passam pelo aparelho, continuando pelo pente que trabalha dentro do «jogo», onde é tecida a peça com os ourelos ou fios com que foi cheia a canela.

A parte acabada de tecer vai enrolar no outro «órgão» que fica na parte dianteira do tear.

Disseminadas por essas aldeias, com especial relevo para o Peso, havia, e há ainda, alguns teares manuais, manobrados por mulheres, em geral e que serviam, e servem, tanto para a tecelagem do linho, com ou sem bordados, como para de ourelos; era questão apenas de mudança de pente.

Em anos passados, havia no Ferro várias pessoas que se dedicam a essa actividade artesanal, que hoje puseram de parte, existindo, por isso, apenas teares desmontados.

Presentemente, usam-se ainda muito as tradicionais mantas de ourelos — cobertores dos pobres ou tapetes e passadeiras dos mais abastados.

As mantas podem ser de um ou dois panos, consoante o tear em que forem tecidas.

Podem ser feitas de trapos velhos ou novos, de lã, de seda, de algodão ou linho. Juntando as fitas da mesma cor, e combinando-se com desenhos geométricos, obtêm-se belos efeitos.

Também se usam mantas completamente brancas, servindo, por vezes, de coberturas de camas.

 

publicado por julianinha às 02:19

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AS COLCHAS

Uma outra actividade artesanal caseira da região foi também a das colchas de algodão branco, executadas mão com uma ou duas agulhas, das quais há lindos e variadíssimos pontos e franjas, como pudemos apreciar, por exemplo, na Exposição de Antiguidades e Artesanato realizada em 1965 na Casa do Povo do Ferro.

Aí se encontravam também algumas das colchas de Castelo Branco aqui bordadas, e que constituíram grande atractivo para os Visitantes, notando-se numa delas uma legenda curiosa: é que aquele linho e aqueles fios de seda foram produzidos e preparados no Ferro pela antiga dona que também executou o bordado.

É interessante notar nestes bordados de Castelo Branco a influência da decoração persa (donde nasceram), indiana e chinesa, bem como a arte renascentista e barroca, havendo um significado para cada motivo, segundo afirma Calvet de Magalhães no seu livro «Bordados e Rendas de Portugal».

As colchas antigas de Castelo Branco eram bordadas com fios de seda destorcidos, de cores suaves: acastanhados, azuis, verdes, amarelos, rosados.

 

publicado por julianinha às 02:19

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CORTE DAS ARVORES

Antigamente, as árvores, destinadas à madeira, eram apenas cortadas nos meses de Janeiro e Agosto «por serem as melhores luas» e por não estarem com o «Cio».

A madeira, cortada nessas alturas, não ficava tão contaminada do bicho, durando, por isso, mais que a de agora, serrada em qualquer época do ano.

Os serradores, sempre que é possível, preferem ainda o mês de Janeiro, uma vez que, em Agosto, a madeira costuma abrir muito com o calor.

Para deitarem abaixo uma árvore, os homens começam a corta-la com a machada, no lado para o qual pretendem que caia. Sendo muito alta, e vendo que pode haver perigo de tombar para o lado contrário, atam-lhe uma corda pela qual puxam, ajudando assim a dar uma inclinação desejada.

 

 SERRAÇÃO DE MADEIRA — A burra dos serradores

Em tempos passados, antes do aparecimento das serrações mecânicas, havia homens especializados que serravam logo a madeira nos locais onde cortavam as árvores (pinhais, soutos, eucaliptais) ou junto da obra a que se destinava ou ainda em sua própria casa.

Para isso, armavam «a burra», que constava de um pau aproximadamente com 2,5 m. de comprimento e cerca de 20 em. de diâmetro, com um baixo ou recrava chamado «queixo» num extremo. Nele estavam pregados dois «pés» que o sustinham inclinando, ficando a outra extremidade assente no solo.

No «queixo», assentava um dos extremos da peça, que se cria serrar e que era , apoiada a frente, em dois «pontais».

Depois de montado o «torado» — assim se chama o tronco a serrar — um serrador subia para a parte mais alta e o outro ficava no solo. Pegando ambos em cada «varote» da «Sarra cadina», iniciavam o trabalho. Para facilitar a serragem, a todo o comprimento iam introduzindo uma ou outra cunha atrás da serra, na parte já serrada portanto.

Nota: As duas varas da serra «cadina» que vão de um extremo ao outro dos «varotes», denominam-se «testeiros».

Os ferros, que prendem a parte cortante ou serra propriamente dita são fusíveis.

 

 

publicado por julianinha às 02:18

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